Será que estamos mesmo exagerando no sal?

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Se você atingiu uma certa idade, o seu médico ou a sabedoria convencional provavelmente o aconselharam a colocar o saleiro na mesa e recuar lentamente.

No entanto, uma pesquisa publicada na edição de 11 de agosto de 2018 do The Lancet está desafiando essa recomendação amplamente dada, graças aos resultados de um estudo internacional em grande escala.

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Mais de 94 mil pessoas foram acompanhadas no estudo

O estudo acompanhou mais de 94.000 pessoas em 18 países por uma média de oito anos.

Todos os participantes tinham entre 35 e 70 anos, o que os tornava prováveis candidatos a possíveis doenças cardiovasculares e derrame, há muito considerados os riscos mais prevalentes de sódio excessivo.

Eles descobriram que apenas as pessoas que consomem mais de 5 gramas de sódio por dia (o que é cerca de 2,5 colheres de chá de sal) têm maior risco de problemas relacionados. Além do mais, meros 5% das pessoas nos países desenvolvidos realmente atingem essa incrível ingestão de sal.

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Pesquisadores do Population Health Research Institute (PHRI) da McMaster University e da Hamilton Health Sciences, no Canadá, concluíram o estudo em conjunto com colegas de vários países.

Os países examinados pelos cientistas incluíram Argentina, Brasil, Canadá, China, Índia, Irã, Filipinas, Polônia, Arábia Saudita, África do Sul, Suécia e Tanzânia.

Será que estamos mesmo exagerando no sal?
Foto: (reprodução/internet)

A maioria dos países consumia 3 a 5 gramas de sódio por dia. Os participantes nos Estados Unidos não foram seguidos, mas os Centros para Controle e Prevenção de Doenças estimam que o americano médio ingere 3.400 miligramas (3,4 gramas) de sódio por dia.

“A Organização Mundial da Saúde recomenda o consumo de menos de dois gramas de sódio – o que é uma colher de chá de sal – por dia como medida preventiva contra doenças cardiovasculares, mas há pouca evidência em termos de melhores resultados de saúde que os indivíduos possam alcançar com tal nível baixo”, explicou o coautor do estudo, Andrew Mente, em um comunicado à imprensa.

A American Heart Association (AHA) sugere um limite ainda mais baixo de 1.500 miligramas (1,5 gramas) de sódio por dia para pessoas com risco de doença cardíaca ou com pressão alta.

Afinal, qual a explicação?

Embora não se saiba exatamente o que causa a hipertensão, a teoria é que, quando você ingere muito sódio, seu corpo precisa reter mais água para “lavar” o sal de seu corpo, de acordo com a Cleveland Clinic.

Essa água extra pressiona o coração, pois aumenta a quantidade de fluido que ele deve bombear pelo corpo, o que pode causar aumento da pressão arterial.

Mas este não é o primeiro estudo a questionar se há realmente uma ligação entre reduzir a ingestão de sódio e reduzir o risco de ataque cardíaco.

“Apenas nas comunidades com a maior ingestão de sódio – aquelas com mais de cinco gramas por dia de sódio – principalmente na China, encontramos uma ligação direta entre a ingestão de sódio e os principais eventos cardiovasculares, como ataque cardíaco e derrame”, explicou Mente.

“Em comunidades que consumiam menos de cinco gramas de sódio por dia, o oposto era o caso. O consumo de sódio estava inversamente associado a infarto do miocárdio ou ataques cardíacos e mortalidade total, e nenhum aumento de derrame.”

Mas, atenção!

Se o seu médico lhe disse para reduzir o sódio, não desvie desse conselho sem consultar ele ou ela primeiro. E saiba disso: a maior parte da ingestão de sódio não vem de uma fonte óbvia, o saleiro.

É mais provável que seja encontrado em alimentos processados (como congelados) e refeições em restaurantes, bem como em iguarias com teor de sódio acima do normal, como queijo e azeitonas.

Os pesquisadores do estudo também descobriram que o aumento da ingestão de potássio diminuiu o risco de ataque cardíaco em todos os países estudados.

Veja também: Aprenda técnica para adormecer mais facilmente

Traduzido e adaptado por equipe Conhecimento Agora

Fonte: HowStuffWorks

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