Capítulo 3: Uma Linha Tênue Entre Controle e Liberdade
O carro diminuiu a velocidade até parar, enquanto Dante Montallegro desviava sua atenção para mim. Seus olhos estavam perspicazes, avaliando.
"Karen," ele começou, sua voz suave, mas com autoridade. "Me diga seu verdadeiro nome."
"Este é meu verdadeiro nome," respondi, tentando disfarçar a inquietação que crescia em meu peito. "Mary enviou todos os meus documentos para você, incluindo meus exames."
"Sim, ela enviou," disse ele, olhando para o celular. "Mas era para minha secretária. Seus exames sempre são enviados aos clientes?"
Engoli em seco, tentando controlar minha respiração. "É parte do protocolo de Mary - prova de saúde para contratos de longo prazo."

Ele assentiu, mas pude sentir seus olhos fixos em mim, escrutinando cada palavra. Enquanto ele falava, o telefone tocou, quebrando a tensão. Eu me forcei a olhar pela janela para a costa sinuosa de Portofino, qualquer coisa para evitar o peso de seu olhar.
Mas então meu celular vibrou, persistente e urgente. Olhei para Dante. Ele me observava em silêncio, uma leve franzida de sobrancelha passando por seus traços. Seus olhos se voltaram para meu celular antes que ele falasse, sua voz agora mais fria.
"Atenda apenas se for urgente, Karen," disse ele, me entregando uma caixa elegante. "E seu telefone deve permanecer no modo vibratório."
Peguei a caixa dele, meus dedos tremendo. O gosto amargo da frustração amargou minha garganta. O que há com esse homem? Pensei, ele já me deixa desconfortável, mais do que qualquer outra pessoa em tão pouco tempo.
Abri a caixa. Dentro, um telefone novinho em folha brilhou para mim, seu design atraente intimidador.
"Considere como um presente," disse Dante, seu tom impenetrável. "Por aceitar meu contrato."
Fiquei hesitante, olhando para o telefone. "Não posso aceitar isso, Dante."
Ele se inclinou para frente, seu olhar travando no meu, intenso e inflexível. "Não gosto de ser contraditado, Karen. Além disso, não estamos quebrando nenhuma regra. Como minha noiva, você não pode usar um telefone barato na frente dos meus clientes e investidores."
Tentei respirar através da tensão, afastar o desconforto que roía por dentro. Esse homem vai me enlouquecer, pensei. Uma semana. Serei sortuda se durar uma semana.
"Está bem," disse, minha voz tensa. "Obrigada, Dante."
Ele sorriu, satisfeito, e tentei ignorar a sensação de afundamento em meu estômago.
O carro finalmente parou em frente ao grandioso Hotel Belmond. Minha mente acelerava enquanto eu tentava me recompor, organizar minhas coisas na bolsa. Mas antes que eu pudesse respirar, Dante já estava fora do carro, sua mão chegando na minha para me guiar para fora.
Ele estava muito perto – sua presença avassaladora. Sua mão estava quente contra a minha enquanto ele me conduzia até o hotel.
O lobby exalava charme antigo, luxuoso e imaculado. A Suíte Dolce Vita era igualmente opulenta, com sua cama king-size coberta por lençóis brancos como a neve. Não pude deixar de me sentir deslocada.





