O trajeto até o aeroporto foi um borrão. O silêncio do motorista refletia meus pensamentos. Não tinha certeza se estava tremendo de medo ou de excitação.
Dentro do lounge VIP, fui escoltada até o avião particular. A comissária me cumprimentou e ofereceu conforto que eu não sentia.
Eu estava terminando uma mensagem para Gabriel quando ouvi. Sua voz. Profunda. Comandante.
"Boa noite, Karen. Bem-vinda."
Eu olhei para cima.
Dante.
Ele estava ali, uma figura imponente com um terno bem ajustado e olhos que pareciam me penetrar. Sua presença preenchia a pequena cabine.
"Boa noite, Sr. Montallegro," eu consegui dizer, mesmo com a garganta apertada.
"Por favor," ele disse, arregaçando a manga, "Me chame de Dante."
Ele estava perto. Muito perto. O calor de seu corpo irradiava através do espaço, e eu me forcei a não reagir.
"Estou nervosa," eu admiti.
"Eu entendo." Sua voz era suave e reconfortante. Vou explicar tudo no voo."
Conforme o avião subia, ele começou a falar—calmo e casual. Ele falou de uma grande conferência e clientes importantes, mas seu verdadeiro propósito para me contratar tinha uma borda crua.
"Minha noiva me deixou," ele disse, quase como se não importasse, mas eu podia ver em seus olhos. Ele não superou. "Ela terminou comigo, e duas semanas depois, estava noiva de outra pessoa. Mas ela ainda me ama. Preciso fazê-la sentir ciúmes. Preciso provar que sou o homem que ela quer."
Era insano. Eu não conseguia deixar de pensar sobre isso.
Mas o dinheiro, a promessa de uma fuga dessa vida, era tentador demais.
"Eu entendo," eu disse, contendo o sarcasmo. "Serei sua namorada, Dante."
Seus lábios se curvaram em meio sorriso. "Você será minha noiva."
Noiva.
A palavra ecoou em minha cabeça mais alto do que deveria.
"Fomos noivos em uma viagem romântica para a Grécia," ele continuou. "Você vai fingir ser minha noiva. Apenas siga meu exemplo. Sorria. Concorda. Mantenha simples."
Tentei processar a absurdez de tudo. "Certo."
Dante sorriu, mas não alcançava seus olhos. "Bom. Apenas uma coisa—evite responder perguntas. Eu cuidarei disso."
Eu assenti com o estômago retorcido.
O resto do voo foi sem incidentes. Conversamos—de forma casual, como pessoas normais. Mas havia uma tensão subjacente. Ambos fingimos. Ambos interpretamos um papel.
Dante tirou algo de sua bolsa enquanto o avião descia—uma pequena caixa. Ele abriu, revelando dois anéis.
Anéis de compromisso.
Meu fôlego ficou preso na garganta.
"Precisamos contar essa história bem," disse Dante, sua voz baixa e firme.
Ele deslizou um dos anéis em meu dedo. O peso dele parecia o peso das minhas próprias escolhas.
Ele então colocou o outro anel em seu dedo.
"Parece que estamos noivos, querida," ele disse, um sorriso surgindo nos cantos de sua boca.
Suas palavras pairaram no ar quando o avião pousou—o início de uma história que não era minha.
Mas seria agora.





