Capítulo 2: O Jogo do Compromisso
Ponto de vista de Karen – Noiva!
O motor engasgou e então… nada. Ótimo. Em um dia que não podia me atrasar, meu carro resolveu pifar. Frustração me invadiu, mas eu a empurrei para o lado. Não havia tempo para me lamentar. Peguei minha bolsa e corri em direção à estação, meus sapatos batendo no pavimento em um ritmo frenético.
Mary já estava lá quando cheguei—perfeita como sempre. Seu rabo de cavalo elegante balançava atrás dela, e suas roupas de designer lhe caíam como se fossem feitas para ela, o que, eu suponho, eram.

"Bom dia, Senhorita Atrasada," ela cumprimentou com aquele sorriso característico, divertido mas firme.
"Bom dia," eu ofeguei, ainda recuperando o fôlego. "Desculpe por te fazer esperar. Meu carro…"
"Está tudo bem, Karen," ela me interrompeu. "Mas, para que você saiba, o Sr. Dante não suporta atrasos."
Um nó se apertou em meu estômago. "Não vai acontecer de novo," eu prometi.
Mary assentiu e me levou para dentro da loja. Pelas próximas horas, me senti como uma boneca sendo vestida. Nós folheamos as araras de tecido, selecionando vestidos, sapatos e acessórios enquanto ela mandava mensagens incessantemente para ele. Ela tirava fotos de cada roupa que eu vestia e as enviava. Suas respostas eram rápidas e específicas. Ele não tinha paciência para nada menos que perfeito.
Quando finalmente saímos, o peso de tudo começou a me atingir. "Ainda não entendi, Mary. O que há de tão especial nesse homem?"
Mary não respondeu imediatamente. Ela sorriu, sua expressão indecifrável, antes de entrar no spa próximo.
Dentro, fui mimada—manicure, cabelo estilizado, maquiagem perfeita. Mas tudo o que eu conseguia pensar era no contrato. A promessa que vinha com ele.
O preço de tudo isso.
Horas depois, eu estava em frente a um espelho na Red Angel, os últimos retoques concluídos. Meu vestido chique se ajustava às minhas curvas, o suficiente para me sentir como uma mulher mas ainda uma sombra do que eu era. Em minha bolsa estava tudo que eu precisava: meu passaporte, minha identidade… tudo guardado em uma bolsa, pronto para uma viagem que nunca imaginei.
Mary repassou os detalhes mais uma vez. "Sorria. Concorda com tudo que ele diz. Finja ser sua noiva. Não questione."
Isso parecia surreal. Isso não era eu. Mas que outra escolha eu tinha? O carro chegou, e minha mala foi carregada no porta-malas. Uma despedida silenciosa para Mary, e então eu estava a caminho.





