Descubra o que impulsiona as emissões luminosas do vagalume

O vagalume é um inseto muito curioso. Não, não que ele seja curioso de ir atrás do desconhecido. Mas porque traz muitas curiosidades sobre a vida animal. Também são chamados de pirilampos e conhecidos por ter a bioluminescência.

Achou o nome diferente? Isto nada mais é do que a capacidade de produzir e emitir luz. Acredita nisso? E nos próximos tópicos você vai entender tudo sobre a emissão de luz dos vagalumes, o que só prova que ele é um bicho dos mais curiosos que existem.

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Descubra o que impulsiona as emissões luminosas do vagalume
Foto: (reprodução/internet)

O texto foi dividido da seguinte forma:

  • A luz do vagalume;
  • Como a luz do vagalume se acende;
  • Outras curiosidades dos vagalumes;
  • Não é só o vagalume que tem a bioluminescência;
  • O inseto mais brilhante do mundo.

A luz do vagalume

A luz do vagalume é um processo natural. Ou seja, acontece de forma natural mesmo sem ninguém precisar ficar ligando ou desligando ele, ok? Isso impressiona os cientistas há muito tempo e ganhou o nome de bioluminescência.

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Foto: (reprodução/internet)

Aliás, além de pirilampo, o vagalume também ganhou um apelido por conta dessa curiosidade: ele é chamado de besouro luminoso. Mas, como é que acontece essa emissão de luz? Através de uma reação química e muita energia, amigos.

Basicamente, temos uma energia química que é convertida em energia luminosa. A conta é bem simples, pelo menos na linguagem técnica. Assim, mesmo sem haver produção de calor, o vagalume emite luz, uma luz fria que não é aquecida quando é emitida.

A reação química do vagalume

Essa reação química que acontece no corpo do inseto recebe o nome de oxidação biológica na linguagem mais técnica. E parte de quatro substâncias usadas para que a mágica aconteça: oxigênio, luciferina (que atua como combustível), luciferase e ativador trifosfato de adenosina (ATP).

Os nomes são bem complicadinhos, só que vale a pena conhecer eles. O fato é que todos nós, que somos seres vivos, possuímos a ATP. Ela serve como fonte de energia para metabolizar as células vivas. Já no caso dos vagalumes, ela também serve para a emissão da luz.

A bioluminescência não é a mesma coisa de fluorescência

Só para quebrar o texto, considere uma curiosidade importante. É mais comum que se fale de fluorescência do que de bioluminescência. Porém, há uma diferente gritante entre elas, ainda que ambas podem acontecer entre animais. Entenda!

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Foto: (reprodução/internet)

Os animais bioluminescentes, como é o caso dos vagalumes, são aqueles que produzem a própria luz. Ou seja, através de reações químicas, eles possuem a geração de uma fonte de luminosidade, como vamos explicar abaixo.

Enquanto isso, a fluorescência, que também pode acontecer em animais, nada mais é do que uma reserva ou um reflexo de uma luminosidade que é captada de outra fonte de energia. Ou seja, nesse caso, a luz não é produzida e sim refletida.

Animais que possuem a fluorescência

Para explicar esse caso é simples. Basta a gente se lembrar de animais que brilham no escuro. Por exemplo, existem os peixinhos de luz, que é uma adaptação genética lá de Taipei. Tem também escorpiões e até mesmo repteis que conseguem refletir a luz de outros lugares.

E no Brasil, há alguns anos descobriu-se uma rã fluorescente, que reflete a cor vermelha. Isso porque o anfíbio tem o pigmento biliberdina, que acaba contrastando com outras luzes. O resultado é uma rã que brilha no escuro e que já é capa de revistas da natureza.

Como a luz do vagalume se acende

Para esse tópico, nós vamos ilustrar de um jeito um tanto quanto didático, apesar de que as palavras são bem técnicas. Vamos lá. Imagine o oxigênio que é respirado pelo inseto entrando na célula de fotócito. Esse é o primeiro passo de tudo.

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Foto: (reprodução/internet)

Depois, a enzina luciferase ativa a luciferina com a energia do ATP. Na sequência, o oxigênio oxida a luciferina. Há uma reação interessantíssima entre os elementos citados até aqui: luciferina, ATP e oxigênio. Esse combo é o que faz tudo acontecer.

Essa reação produz a mólecula de oxiluciferina em estado fluorescente e isso “acende” o vagalume. As células especiais formam o tecido lanterna, que tem vários terminais de traqueias e levam o oxigênio por neurotransmissores até o cérebro do inseto.

Por que a luz do vagalume se acende

Que o animal fica lindo e se torna único, você sabe. Mas, será que há algum motivo a mais, mais cientifico, para explicar os motivos pelos quais o vagalume tem essa luz própria, em todos os sentidos da palavra? Você vai ter uma resposta que já imagina…

É claro que sim. Enquanto é larva, a bioluminescência serve para defender ele dos predadores ou para atrair outros insetos que servirão a ele de alimento. Já quando adulto, a luz própria do vagalume é usada para atrair o sexo oposto e fazer o acasalamento.

Outras curiosidades dos vagalumes

Para quem gostou de entender mais dos vagalumes e sua luz própria, saiba que eles também possuem outras curiosidades. Por exemplo, o fato de que vivem em lugares extremamente úmidos, como pântanos, florestas e áreas arborizadas.

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Foto: (reprodução/internet)

Também por isso tem como principal predador o sapo. É nesses locais que eles conseguem se reproduzir – quando não são caçados. E se alimenta de larvas de outros besouros, além de fungos, lesmas e caracóis. Atualmente, estão em várias partes do planeta, menos na Antártida.

No mundo todo há mais de 2 mil espécies de vagalumes, sendo que mais de 500 delas são encontradas no Brasil. O ciclo de vida de um vagalume é longo se comparado a outros insetos, sendo que vivem entre 1 ano e 3 anos, a maior parte da fase de larvas.

O vagalume sofre a metamorfose completa

Falar do ciclo de vida do vagalume é bem interessante porque ele sofre o que é chamado de metamorfose completa. Assim, passa por 4 estágios, indo do ovo até a larva, pupa a fase adulta. O ovo é o estágio embrionário, sendo que a partir dali eles já são bioluminescentes. 

Já a fase larval é a maior de todas. É quando eles se parecem com um verme. Geralmente, as larvas de vagalumes vivem no solo. A larva vai mudando com o tempo até se tornar pupa, que é quando cria uma câmara de lama e se pendura de cabeça para baixo, ficando suspensa. Por fim, vem a fase adulta, que é quando emerge da pupa.

Não é só o vagalume que tem a bioluminescência

Talvez você não saiba, mas é legal considerar que o Brasil é um país tão grande e a Terra é um planeta tão incrível que há outros insetos que também tem essa de luz própria. Vamos explicar dando nomes a eles, veja só como é interessante.

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Foto: (reprodução/internet)

Os vagalumes são os lampirídeos. Aí vem os pirilampos, que são como vagalumes também, porém, da família dos elaterídeos. E, por último, temos os bondinhos, que são os fengodídeos. Algumas características entre eles mudam.

Os vagalumes possuem a luz no abdômen. Os pirilampos têm uma espécie de par de lanternas verdes no tórax. E os bondinhos possuem lanternas na cabeça e mais onze pares de lanternas laterais ao longo do corpo. E eles podem ter várias cores emitidas.

As cores da bioluminescência

Outra curiosidade sobre a luz do vagalume e de outros insetos é que elas são sempre vistas como verdes. No entanto, também podem variar e chegar no vermelho, sabia? Isso vai passando por toda a linha de cores intermediárias e conforme a família.

O motivo é que a proteína catalisadora da reação química da bioluminescência é quem determina a cor da luz emitida pelos insetos. Aliás, além dos insetos citados, outros animais também emitem luz, como larvas e animais marinhos, além de cogumelos e moluscos.

O inseto mais brilhante do mundo

Você já ouviu falar do Besouro de Fogo? Obviamente, ele não tem esse nome à toa, viu. Ele pode ser encontrado em regiões da América do Sul e da América Central, sendo que ao contrário dos vagalumes eles não ficam “piscando”. A luz deles é acessa de forma ininterrupta.

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Foto: (reprodução/internet)

Por outro lado, eles podem variar a intensidade da luz emitida. Olha que incrível. Conforme estudos, o Pyrophorus noctilucus é uma espécie de besouro que tem luz contínua e brilha mais quando está sob pressão, isto é, estressado. 

O motivo do brilho é muito simples: no escuro, eles parecem muito mais assustadores do que realmente são. Afinal, eles possuem apenas 4 centímetros de comprimento e são presa fácil para muitos outros insetos, que são maiores.

A caverna mais brilhante do mundo

Como acima falamos de uma curiosidade de um inseto muito brilhante, agora é hora de falarmos de uma caverna que brilha muito. E você já deve imaginar o motivo, vai. Ela fica em Auckland, na Nova Zelândia e tem um céu todo estrelado, com os pirilampos.

Esse tipo de inseto é muito comum de ser encontrado na Nova Zelândia e na Austrália Oriental. Eles permanecem em grupos e isso é o que dá o efeito de céu estrelado nas cavernas. Os tetos são habitats para as larvas que gostam de regiões úmidas. 

Os vagalumes são insetos ameaçados?

Já perto do fim do artigo vale a pena a gente considerar um ponto que foi bastante discutido entre os biólogos e pessoas do tema: a extinção dos vagalumes. Na verdade, o que acontece é que eles estão ameaçados pela iluminação das cidades.

Isso porque quando entram em contato com essa forte iluminação artificial, a bioluminescência deles é totalmente anulada e isso interfere na reprodução dos insetos. Portanto, sim, de fato, eles podem ser extintos em breve. Então, é verdade sobre a extinção dos vagalumes.

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