Meu coração batia forte em meus ouvidos enquanto subia os degraus do avião, o peso do mundo pressionando-me a cada passo.
Eu precisava fazer algo.
Não podia deixar isso acontecer.
Uma vez dentro, desabei no assento de couro macio, tentando respirar e acalmar a tempestade dentro de mim. O avião começou a taxiar, o zumbido dos motores um ronco baixo sob mim.
Peguei meu celular. Eu tinha que fazer isso parar.
Uma última tentativa.
Quando a voz de Alexei veio através da linha, era pura indiferença fria, como se ele não se importasse que meu mundo estivesse desmoronando.
“Estou ouvindo,” ele disse, seu tom plano.
Mal conseguia me manter firme. “Alexei, precisamos conversar.”
O silêncio se estendeu entre nós, sufocante.
“Você pensou demais, não é?” ele disse, o veneno em sua voz era inconfundível. “Desde quando seus pensamentos significam algo para mim?”
Meus dedos apertaram o celular tão forte que senti as unhas cravando na pele. Ele estava me pressionando.
“Não sou sua propriedade,” retruquei, minha voz trêmula mas feroz. “Não posso fazer isso. Não posso ser forçada a algo que não quero.”
Ele riu—baixo, sombrio, sem nenhum traço de humor.
“Você não pode?” ele zombou. “Acha que tem escolha?”
Uma pausa. E então sua voz ecoou, ainda mais alta, mais afiada: “Espero que já esteja no avião. Não me faça esperar nem me estressar. Se não aparecer na minha casa na hora certa, diga adeus aos seus miseráveis familiares.”
Minha garganta se fechou, mas forcei as palavras a saírem, puras e sem filtro: “Eu prefiro morrer a ser sua esposa.”
O silêncio que se seguiu foi sufocante. Sua voz, quando voltou, era mais fria que gelo. “Este casamento vai acontecer. Quer você goste ou não. E se tentar fugir, não será apenas você a sofrer. Não me desafie.”
Um arrepio percorreu meu corpo. Meu sangue gelou. Meu coração martelava contra minhas costelas enquanto o pânico se instalava. Todo meu ser queria gritar, mas suas palavras me seguraram no lugar.
Cadeias invisíveis, apertando-se cada vez mais.
Fixei o olhar pela janela, mas a paisagem lá fora era um borrão, o mundo se distanciando. Os nós em meu estômago se apertavam. Estou presa. Estou sufocando.
Desliguei o celular—não mais.
Mas senti minha liberdade escapando a cada milha que voava.
De repente, o avião sacudiu, e meu estômago afundou. As luzes piscaram, criando sombras sinistras pela cabine. O pânico se espalhou como fogo. A voz do piloto chiou pelo intercomunicador, mas mal registrei.
“Estamos enfrentando uma falha elétrica. Por favor, permaneçam calmos enquanto nossa equipe técnica resolve o problema.”
Calmos?
O avião tremia violentamente, e a turbulência se intensificava. Meu coração acelerou enquanto o avião balançava sob mim. Olhei pela janela—nada além de nuvens rodopiantes e intermináveis.
Para onde estou indo?
E então as luzes se apagaram—escuridão total.
Teria Alexei me amaldiçoado?
O pânico explodiu. As pessoas gritavam. Eu podia sentir o peso do medo no ar. Minha respiração se tornou ofegante. Estendi a mão para o celular, que escorregou de minhas mãos, batendo no chão com um baque doentio.
Eu estava perdendo o controle.
O avião balançava mais forte. Os gritos aumentavam. Cada segundo parecia uma eternidade. Meu coração martelava no peito conforme percebia o quanto estava impotente.
Presa. Amarrada.
E não havia saída.
Agora. Nunca.
A escuridão era avassaladora.
O celular escapou entre meus dedos, se chocando contra o chão, mas parecia mais do que apenas um aparelho caído. Tudo o que eu já conheci estava desmoronando ao meu redor. O peso da situação me esmagava. Eu não conseguia respirar, pensar ou escapar.
Seu riso frio, zombeteiro e sufocante ecoou pelo telefone. "Eu não posso?" Sua voz baixou mais e ficou mais dura. "Acha que tem escolha? Acha que pode dizer 'não' e ir embora?"
E então, veio—um comando repentino e trovejante, sua fúria percorrendo a linha como uma tempestade. "Espero que já esteja amaldiçoado avião. Não me faça esperar, não me faça estressar. Se não chegar na hora... diga adeus a seus preciosos parentes."
As palavras me atingiram. Minha garganta se apertou, mas forcei as palavras a saírem de qualquer maneira. "Prefiro morrer a ser sua esposa."
O silêncio que se seguiu foi pior do que qualquer coisa. Um tipo de silêncio que fazia os cabelos do pescoço se arrepiarem. Em seguida, sua voz irrompeu, mais afiada e fria do que nunca. "Este casamento vai acontecer, que você queira ou não. Se tentar fugir... não será apenas você a sofrer." Seu riso era baixo, venenoso. "E eu sei que você não é estúpida."
Eu podia sentir o sangue congelar em minhas veias. Pânico. Pânico puro, gelado. Ele me prendeu, me imobilizou. Suas palavras eram correntes, invisíveis, mas inquebráveis. Queria gritar, mas meu corpo me traiu, paralisado por seu domínio.
Olhei pela janela, tentando encontrar algo que me ancorasse. Mas tudo o que vi foi o céu infinito e indiferente me engolindo inteira.





