Capítulo 2: Dançando com o Diabo
Maria Luíza Duarte encarava Alexei, sua presença evocando tanto medo quanto fascinação. Ele parecia incorporar um charme sombrio, um encanto diabólico que a atraía mesmo enquanto a repelia. A memória de seu beijo persistia, assombrando seus pensamentos em meio à incerteza de seus destinos entrelaçados.
Ela se viu sozinha, buscando consolo junto ao lago na propriedade de seu pai, onde as águas frescas prometiam alívio da turbulência interna. No entanto, sua paz foi interrompida quando mãos fortes a puxaram do lago, trazendo-a de volta a um mundo de expectativas sufocantes.

"O que diabos, mulher!" A voz de Alexei cortou o ar, transbordando de fúria. "Você está tentando se destacar?"
Maria ofegava, o coração martelando descontroladamente enquanto o pânico ameaçava dominá-la. O peso de seu desprezo a esmagava como um manto sufocante, desencadeando um ataque de ansiedade demasiado familiar.
"Consequências... vergonha..." Suas palavras ecoaram, acendendo uma centelha de rebeldia dentro dela. Ela não podia mais tolerar ser tratada como peça em seu jogo.
"Consequências?" A voz de Maria trincou entre medo e raiva. Ela rasgou seu impecável terno, afastando-o com uma força nascida da desesperança. "Eu não sou sua propriedade!"
Sua declaração pairou no tenso silêncio que se seguiu, desafiando-o a negar sua autonomia. Ela viu uma surpresa cintilar em seus olhos azuis glaciais por um breve momento.
"Recuso-me a ser controlada," ela prosseguiu, a voz trêmula porém resoluta. "Este casamento não será construído sobre o medo."
A expressão de Alexei endureceu em silêncio, testemunho de seu choque de vontades. Mas Maria manteve sua posição, recusando-se a ceder diante de sua dominação.
"Entre," ele finalmente comandou, seu tom permeado por uma frieza cortante. "Vamos ver se você realmente tem a coragem de enfrentar o demônio que acha que eu sou."
Maria deu uma respiração profunda, se preparando para a tempestade que rugia dentro dela. Ela encontrou seu olhar com desafio, sentindo a adrenalina correr por suas veias.
"E também sobreviverei a você," ela contra-argumentou suas palavras, um desafio silencioso pairando no ar.
Com um aceno solene, Alexei se retirou, deixando-a ali, abalada mas não vencida. Enquanto sua figura desaparecia, um sentimento de alívio a invadiu, embora soubesse que a batalha estava longe de acabar.
Antes que pudesse reunir seus pensamentos, a presença de Marco irrompeu, suplicando que ela reconsiderasse. Suas palavras foram ignoradas, abafadas pela descoberta de que o encantador demônio ainda espreitava nas sombras.





