Brasil questiona Índia sobre previsão de entrega das vacinas de Oxford

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Após incertezas e constantes viagens diplomáticas, que culminaram na não inclusão do Brasil na lista de países que receberam o primeiro lote de vacinas contra a Covid-19 da Índia, o Itamaraty solicitou um compromisso público com o país da Ásia.

É esperado, segundo o governo brasileiro, que haja a distribuição de aproximadamente dois milhões de insumos da vacina Oxford/AstraZeneca. Na última sexta-feira (15), o avião que antes iria trazer as doses, acabou levando oxigênio para os hospitais do Amazonas.

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Brasil questiona Índia sobre previsão de entrega das vacinas de Oxford
Fonte: (Reprodução/Internet)

Segundo assessores, novas doses da vacina devem chegar em breve

Segundo a Folha de S. Paulo, os assessores do presidente Jair Bolsonaro esperam receber as doses na próxima semana. No entanto, a falta de sinais mais específicos da Índia torna os interlocutores do Planalto menos otimistas de que a vacina seja imediatamente incluída no plano nacional de imunização.

Por isso, o Itamaraty vem cobrando taxas do Ministério das Relações Exteriores indiano para garantir que as doses sejam enviadas ao Brasil o mais breve possível. Por outro lado, a Índia expressou descontentamento em meio à persistência do governo Bolsonaro e à promoção do programa de importação de imunização.

Através de uma rede social, o primeiro-ministro Narendra Modi informou que novas remessas estão planejadas para serem entregues em breve, e que a Índia se encontra muito honrada em ser uma parceira confiável para atender às necessidades de saúde que surgiram em nível global. 

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Insumo ocasiona divergências diplomáticas entre Brasil e China

Como o programa nacional de vacinação não havia sido iniciado na Índia, o governo local teria exigido que o governo brasileiro fosse discreto sobre a importação. Mas, em vez disso, o governo federal brasileiro usou aeronaves da Azul adesivadas com a campanha para o transporte da dose e anunciou o itinerário.

Após essa campanha de divulgação, os indianos voltaram atrás no envio, pois uma exportação antes da vacinação local poderia soar como uma falta de comprometimento com seus próprios habitantes. A posição brasileira em não defender a revogação das patentes de medicamentos também desagradou o governo do país asiático. 

Nesta semana, Jair Bolsonaro recebeu o embaixador da Índia Suresh K. Reddy, para um encontro no Palácio do Planalto. Após a reunião, Bolsonaro disse que o governo estava caçando os contratos de vacinas que ainda não haviam sido entregues. A própria Fiocruz adiou a entrega da primeira dose da vacina de fevereiro para o início de março.

Crise com a China

No entanto, este país asiático tem sido alvo de ataques frequentes de membros do governo de Jair Bolsonaro (sem partido), incluindo o filho do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e o próprio Ernesto Araújo, ministro das Relações Exteriores.

Em outubro de 2020, Bolsonaro cancelou o acordo do Ministério da Saúde para a compra de doses do CoronaVac, e disse que não compraria vacinas produzidas na China. Aproveitando a oportunidade, o presidente também disputou com o governador de São Paulo, João Doria (PSDB).

Até o momento, apenas duas vacinas, a CoronaVac e a Oxford, foram autorizadas pela Anvisa para uso emergencial no Brasil. Atualmente, apenas doses de CoronaVac estão disponíveis no país — esses frascos ainda não são suficientes para atender às necessidades de todos os grupos prioritários.

Brasil questiona Índia sobre previsão de entrega das vacinas de Oxford
Fonte: (Reprodução/Internet)

Segundo ministro, questões políticas não atrasam entrega de vacinas

Nesta quarta-feira (20), o chanceler Ernesto Araújo, negou que o atraso das vacinas tenha ocorrido devido a problemas diplomáticos entre China, Índia e Brasil. Nas últimas semanas, os países estavam negociando a importação dos ingredientes do insumo contra a Covid-19.

Mesmo negando problemas, Araújo não revelou datas estimadas sobre a chegada do material no Brasil. O atraso impacta na fabricação nacional da vacina de Oxford, segurada em contrato da Fiocruz com o laboratório AstraZeneca, bem como na produção da CoronaVac, do Instituto Butantan com o laboratório Sinovac.

“Nós não identificamos nenhum problema de natureza política em relação ao fornecimento desses insumos provenientes da China. […] Nem nós do Itamaraty, aqui de Brasília nem a nossa embaixada em Pequim nem outras áreas do governo identificaram problemas de natureza política, diplomática”, afirmou Araújo.

Declarações foram dadas a membros da comissão externa

O ministro emitiu um comunicado aos membros do comitê externo estabelecido pela Câmara dos Deputados, para discutir a resposta à pandemia Covid-19. Desde que o Congresso Nacional foi formalmente suspenso para o início de fevereiro, o colegiado tem mantido as reuniões informais.

De acordo com Araújo, não foi identificado nenhum percalço, e que a análise em conjunta é de que há uma demanda extraordinária de tais insumos não só no Brasil, mas sim em todo os países que se viram fortemente afetados pela crise do novo coronavírus.

Fiocruz adia entrega de vacinas 

De acordo com ofício enviado ao Ministério Público Federal na terça-feira (19), o motivo do adiamento é que o prazo de entrega do insumo farmacêutico ativo (IFA) está atrasado. Os materiais necessários para produzir o agente de imunização estariam aguardando a aprovação da China.

No documento, também é mencionado o prazo prescrito, que leva em consideração que tanto a vacina quanto o IFA apresentarão resultados de controle de qualidade satisfatórios, incluindo o INCQS (Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde). De outro modo, a data de entrega pode ser novamente adiada.

A Fiocruz estima que, após receber os compostos exportados, levará mais de um mês para fornecer a vacina. A estimativa da fundação é que, além do teste INCQS por mais dois dias, os testes de qualidade da dose podem levar até 17 dias.

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